Sindicatura profissional levada à sério

Em todo o Brasil, existem pouquíssimos profissionais com a competência de representar a sindicatura profissional

Por Elis Rocha¹

Os síndicos, via de regra, são um grupo de pessoas interessadas e/ou voluntárias. Os realmente responsáveis passam a noite sem dormir. Dão o melhor de si para elevar a eficiência da administração em seus condomínios. Buscam e compartilham informação técnica. Selecionam os cursos de formação ou especialização a dedo pois sabem o estrago que "cursinhos" fazem com toda a categoria. E sabem perfeitamente o mal que pseudos bacharéis em administração fazem com bacharéis legítimos.

O maior desespero para o Síndico Profissional Puro Sangue é ver seus investimentos em cursos caros de gestão perderem o valor com tanta banalização. Os síndicos dedicados são menosprezados pela maioria dos moradores de condomínios justamente porquê "qualquer um" pode ser síndico. Fora as notícias sobre corrupção e desvio de dinheiro praticado por falsos síndicos que mancham a imagem de toda a categoria.

Recentemente, o senado federal promoveu uma audiência pública para debater o papel dos síndicos e dos síndicos profissionais nos condomínios brasileiros. O evento demonstrou que a magnitude da "instituição condomínio" não tem sido levada a sério. Salvo pela explanação proferida por Enrico da Cunha Correa, advogado especializado em direito condominial que se mostrou o mais tecnicamente interessado. 

"Vejo com grande gravidade não haver uma definição do que é o condomínio. Em princípio é um ente despersonalizado, ou seja, é pessoa jurídica que não visa lucro e por isso tem dois problemas: só se torna pessoa jurídica quando tem que ser substituto tributário em contribuições e quando, momentaneamente, exerce contratações de produtos e serviços. A consequência disso é que, no judiciário, há uma discussão tumultuada que por vezes condena o condomínio por danos morais, como se ele pudesse praticar danos morais contra alguém, e ora o reconhece somente como ente despersonalizado", pondera Enrico.

Nesse sentido, deve-se estender o debate para além da simples regulamentação da profissão de síndico. Há a necessidade de desenvolver o tema tecnicamente, convidando especialistas que conheçam o assunto profundamente para não ficar só na conversa para inglês ouvir.

Tendo em vista todos os acontecimentos, bom e ruins, não podemos desconsiderar a opinião dos que ralam no dia-a-dia da gestão condominial. Dos que são independentes da politicagem instaurada. Dos que tem competência para trazer uma legislação moderna e bem embasada. e, principalmente, distante do oportunismo eleitoreiro e da tendência comercial.

Os síndicos que se prezam amam muito o que fazem: comemoram as vitórias e se desesperam com os reveses. Por isso, o sentimento, até o presente momento, é de que esses profissionais, que têm a gestão condominial correndo nas veias, NÃO estão sendo representados.

O recado é bem claro. Respeite quem é da área. De valor a quem estuda ou é acadêmico em cursos com ênfase em administração de condomínios. Porque se é somente isso o que temos pra hoje, sejam no mínimo respeitosos.


Elis Rocha é Administradora de empresa, Síndica profissional certificada Gabor RH e Pós Graduanda em Gestão Condominial.