Boleto registrado vai custar caro para o condomínio

As novas regras causarão grande impacto econômico em vários setores da sociedade


A medida, anunciada pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), provoca uma mudança significativa no sistema de boletos de pagamento. O que isso significa? Que o boleto sem registro deixará de existir até o final deste ano. Na prática, isso funciona da seguinte maneira: com a cobrança sem registro, o cedente geralmente paga apenas pelos boletos efetivamente quitados pelos sacados. Já com a nova medida, o banco vai cobrar não só pela emissão do boleto, mas também por outras taxas como alteração ou cancelamento do boleto.

Para o presidente do CFA, Wagner Siqueira, a medida vai causar um grande impacto econômico. “Se já não bastasse a alta carga tributária, os empresários, principalmente os dos segmento das micro e pequenas empresas, terão que se adaptar e migrar para uma carteira de cobrança muito mais onerosa”, diz.

Impacto do Boleto Registrado

- Pesquisa feita pela E-Commerce Brasil, em parceria com o Sebrae, revelou que cerca de 75% dos consumidores preferem pagar por meio de boleto bancário. Motivo: as baixas taxas que essa forma de pagamento oferece.

- A Febraban estima que cerca de 3,6 bilhões de boletos são emitidos todos os anos no Brasil.
- A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) estima que os custos com boletos podem chegar a R$ 5. Dependendo do banco e do volume movimentado, esse custo pode chegar a R$ 20.

- A ABComm acredita que a medida trará prejuízos para o setor, pois metade dos títulos não é pago e, portanto, não geram receita aos vendedores.

- Segundo a Associação Brasileira de Captação de Recursos (ABCR), a receita das 400 mil Organizações não Governamentais (ONGs) do Brasil deve encolher em até R$ 6 bilhões por ano.
- Como a maioria das ONGs vive de doações, o setor acredita que as medidas adotadas pela Febraban vão desestimular as arrecadações espontâneas.

- Segundo o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), 52% dos brasileiros doaram dinheiro em 2015, somando R$ 13,7 bilhões. Entre os doadores, 42% usaram o boleto. 

- As ONGs gastam de R$ 0,50 a R$ 3 reais (unidade) para enviar o boleto sem identificação. Com o boleto registrado, que passará a ter a identificação do destinatário e passa a ser considerado “carta registrada” pelos Correios, o custo unitário ficará entre R$ 3 e R$ 6. 

- No primeiro semestre de 2016, somente com prestação de serviços e cobrança de taxas, os três maiores bancos privados do Brasil (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) aumentaram em R$ 3,6 bilhões suas receitas, um salto de quase 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

- Até R$ 72 bilhões- é quanto os bancos irão faturar em um ano com estimativa de emissão de 3,6 bilhões de boletos registrados com custo de R$ 20 cada. 

- R$ 36 bilhões- é o prejuízo estimado das empresas com emissão de boletos que não são pagos (50% deles) a um custo de R$ 20 cada. 

- R$ 36 bilhões- será também o faturamento extra dos bancos com boletos registrados emitidos e que não são pagos a um custo de R$ 20 cada. 

- 100%- do comércio eletrônico trabalha com boleto sem registro
De R$ 650 mil para 2,6 milhões – é o aumento do custo de um comerciante que emitir 130 mil boletos registrados por mês a um custo de R$ 20 reais cada. Antes o valor variava até R$ 5.

Em razão do impacto econômico que a medida trará para o dia a dia dos brasileiros, o CFA fará uma série de atos repudiando o fim da cobrança sem registro. Os eventos acontecerão ao longo deste ano, e reunirá profissionais e estudantes de administração, além de empresários e cidadãos insatisfeitos com a medida. Durante as manifestações, uma raposa inflável gigante será colocada no gramado da Esplanada dos Ministérios a fim de chamar a atenção do público e provocar uma reflexão sobre o assunto.

Campanha nacional - Paralelamente à manifestação, o CFA lançou, ainda, a campanha intitulada “Raposão”. O mascote usado na ação simboliza os banqueiros, que de taxa em taxa enriquecem às custas da população. O jingle da campanha é o “Rap do Raposão” e o vídeo faz referência ao estilo ostentação. A campanha será veiculada em publicações impressas, salas de cinema, rádios e redes sociais como YouTube e Facebook.