Mais de 100 prédios correm o risco de cair no Plano Piloto

Reformas internas em apartamentos ameaçam mas de 100 prédios no Plano Piloto



Brasilienses correm o risco de ficar debaixo de escombros não apenas quando atravessam pontes e viadutos ou estacionam em garagens subterrâneas. Moradores de mais de 100 prédios residenciais do Plano Piloto convivem, sem saber, com a ameaça de desabamento da própria casa.

Levantamento feito em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias (IBAPE-DF) em 163 prédios do Plano Piloto, em parceria com a Defesa Civil, mostrou que mais de 70% deles apresentavam “risco de modificação estrutural significativa”. Ou seja: poderiam cair parcial ou inteiramente.

 O estudo do Ibape, coordenado pelo engenheiro civil Iberê Pinheiro, foi apresentado em 2017 durante um congresso internacional de engenharia em Lisboa (Portugal) e será levado em março a outro encontro profissional, o Iceubi, na Espanha, pelo professor João Pantoja.

 “O trabalho é sobre alvenaria autoportante, um tipo de construção predominante nas quadras 400 do Plano Piloto, mas também presente em vários outros pontos do Distrito Federal. Nela, o elemento de vedação serve de estrutura de sustentação”, diz Iberê Pinheiro.

COLUNAS E VIGAS - Nesse tipo de alvenaria, não são usadas colunas e vigas de sustentação. No entanto, muitos proprietários optam por modificar suas unidades, quebrando ou mesmo derrubando as paredes para adaptar o imóvel às suas necessidades. Assim, comprometem a segurança do prédio como um todo.

Segundo Iberê Pinheiro, nos últimos anos as demolições mais comuns ocorreram para instalação de hidrômetros individuais nos apartamentos. Mas também são frequentes as reformas para aumento de janelas, ampliação de cômodos ou simplesmente para a passagem de cabos para instalação de TVs por assinatura.

O especialista lista os onze principais sistemas dessas obras: elétrico, hidráulico, estrutura, alvenaria de vedação, equipamentos (ar-condicionado e elevador), cobertura, esquadrias (portas e janelas), instalação de forros (gesso), sanitários, pintura e piso.

A vantagem dos prédios das quadras 400, que reduz o risco de desabamentos, é o fato de serem edificações baixas (no máximo três andares). No entanto, um especialista da Defesa Civil, que pede para não ser identificado, afirma que existe muita irresponsabilidade de proprietários e de “pseudo-especialistas” na hora de fazer obras nas unidades residenciais. “É gente irresponsável orientada por profissionais incompetentes”, dispara.

“Saem quebrando tudo, derrubando paredes, sem avaliar os riscos. No Natal, precisamos interditar um prédio inteiro na 407 Norte para fazer escoramento”, diz o oficial dos Bombeiros. Ele conta que a Defesa Civil convocou uma reunião com os síndicos, mas poucos compareceram.

“Nós trabalhamos por denúncia ou por solicitação. Não temos como vistoriar todos os apartamentos”. E finaliza: “tocar nesse assunto é mexer num vespeiro. Afinal, estamos falando da desvalorização imobiliária no centro da capital da República”.

Manutenção predial requer responsabilidade e não oportunismo

De acordo com o presidente da Assosindicos DF Emerson Tormann, os recentes acontecimentos gerou uma onda de pânico desnecessária visto que muitos síndicos já estão acompanhando as vistorias e manutenções de seus prédios. “Muitos síndicos entenderam a importância de contratar assessoria de engenharia e de ter um acompanhamento técnico em obras e fiscalização de reformas” comemora.

Recentemente, algumas entidades, associações e sindicatos resolveram procurar os Bombeiros, Defesa Civil e Agefis para tratar de assunto semelhante. “Sem dúvida, a intenção é orientar síndicos e moradores, mas num momento como esse, pode ser visto como oportunismo”, pontua Emerson Tormann.

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Da redação com informações do Jornal Brasília Capital